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Ervas Daninhas: até que o senhor sabe o suficiente sobre o ciúme e o desejo

É claro, uma erva daninha não é, necessariamente, algo de tão ruim e perigoso. Indicam espontaneidade, um solo fértil, talvez, e até mesmo uma possibilidade de encontro e de coexistência. O que se pensa delas: se esgueiram pelos cantos dos paralelepípedos e atrapalham de um pouco em tudo, da visão da rua à aderência dos pneus do carro. É claro, um pouco verdade, mas nem tanto. É o que se diz do ciúme: corrosivo, destruidor. Não é, no entanto, cúmplice do desejo? Tem-se por medida, já que sentimentos não podem ser quilometrados por inexistência de trena suficientemente grande, nem pesado por anorexia feminina, a seguinte frase de Proust: “Tem se por inocente desejar e atroz que o outro deseje”.

No entanto, não é o nome de Proust que é citado durante os 104 minutos de Ervas Daninhas (Les Herbes Folles, 2009), do célebre diretor francês Alain Resnais – é o de Gustave Flaubert. Aparece como do nada, como uma cartela de filme mudo. Não há uma ordem formal nas cenas de Resnais; elas perpassam a tela como (mais…)

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