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O Original de Laura: os manuscritos e os prefácios de Vladimir Nabokov

Tenho O Original de Laura em mãos. Acredito que seja choque de uma ou outra vontade não publicá-lo; se fizeram, porém, procede-se assim mesmo à leitura. É, ainda, muito próximo a tudo o que Vladimir Nabokov já escreveu. As idéias estão em segundo plano; compreende-se primeiro o estilo, um floreio digno de um ou outro discurso policial. Em seguida: a estrutura. De fato, análoga ao argentino Jorge Luis Borges. Há um quê metalingüístico em Laura que ultrapassa, muitas vezes, o próprio jogo hermético construído em Fogo Pálido. Parece que, como se fosse uma fundação arquitetônica, a própria inconclusividade da obra deixa Leia o restante desta página »

O palco em segredos miúdos: melancolia e tolerância em O Público, de Federico García Lorca

– Señor.
– ¿ Qué?
– Ahí está el público.
– Que pase.

A ação é o cerne do drama: os quatro cavaleiros que entram e tocam suas trombetas, os ladrões que surrupiam poucas moedas. O diretor troca a peruca loira por cabelos castanhos. Tudo, no teatro, é texto. As imagens são construídas por palavras e letras soltas, deixas exatas. Todos os gestos são exagerados como os advérbios. Todos os figurinos são adjetivos polissilábicos.

– Pero nunca dejarán de ser Romeo y Julieta.
– Y enamorados. ¿Usted cree que estaban enamorados?

Quase não há peças que não sejam longas poesias na obra de Federico García Lorca. O drama é a execução das impossibilidades, das tragédias, da melancolia dos versos – só o movimento, aquele que nos é repreendido capturar, é capaz de dar vazão a razão melodramática do autor espanhol. Digo razão para satisfazer Heidegger: a felicidade é Leia o restante desta página »